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CRISE DE IDENTIDADE OU CAPITAL DE IDENTIDADE

CRISE DE IDENTIDADE OU CAPITAL DE IDENTIDADE

No livro a idade decisiva de Meg Jay, ela cita sobre o capital de identidade, que é algo como construímos a nós mesmos – parte por parte, ao longo do tempo.

Trago aqui um trecho interessante sobre capital de identidade para te ajudar a refletir sobre suas escolhas ao longo da sua jornada de vida. Vai levar alguns minutos para ler, mas vale a pena. Acompanhe abaixo 😊

Erik Salomonsen era um menino alemão de cabelos loiros com uma mãe de cabelos escuros e um pai que nunca conheceu. Em seu terceiro aniversário, a mãe casou-se com um pediatra local que o adotou, tornando-o Erik Homburger. Eles o educaram de acordo com a tradição judaica. Na sinagoga, caçoavam do menino por ter cabelos claros. Na escola, por ser judeu. Erik costumava se sentir confuso sobre quem ele era. Após o ensino médio, Erik esperava tornar-se um artista. Viajou pela Europa, fazendo cursos de artes e às vezes dormindo embaixo de pontes. Aos 25 anos, retornou à Alemanha e trabalhou como professor de artes, estudou pedagogia montessoriana, casou-se e iniciou uma família. Após dar aulas para os filhos de psicanalistas bastante conhecidos, Erik foi analisado pela filha de Sigmund Freud, Anna, e em seguida se formou em psicanálise. Aos 30, Erik mudou-se com a família para os Estados Unidos, onde se tornou um psicanalista famoso e teórico do desenvolvimento. Lecionou em Harvard, Yale e Berkeley e escreveu vários livros antes de ganhar o Prêmio Pulitzer. Como reflexo do sentimento de não ter tido um pai e de ter vencido pelos próprios esforços, mudou o nome para Erik Erikson, que significa “Erik, filho de si mesmo”. Ele é mais conhecido por ter cunhado o termo “crise de identidade” em 1950. Embora fosse um produto do século XX, Erikson viveu a vida de um homem do século XXI. Cresceu numa família miscigenada. Enfrentou questões de identidade cultural. Passou a adolescência e os 20 anos em busca de si mesmo. Numa época em que os papéis dos adultos eram previsíveis, as experiências de Erikson permitiram que ele imaginasse que uma crise de identidade era a norma, ou ao menos deveria ser. Achava que uma identidade verdadeira e autêntica não deveria ser precipitada e, para isso, defendia um período de procrastinação em que os jovens pudessem explorar com segurança, sem riscos ou obrigações reais.

Para alguns, esse período era a faculdade. Para outros, como Erikson, uma jornada pessoal. Em ambos os casos, ele enfatizou a importância de desenvolver o próprio potencial. Erik Erikson, agora literalmente “filho de si mesmo”, achava que todos deveriam criar a própria vida.

Erikson passou parte da juventude tendo uma crise de identidade, mas no percurso também foi adquirindo o que os sociólogos denominam capital de identidade.

Capital de identidade é nossa coleção de bens pessoais. É o repertório de recursos individuais que reunimos com o tempo. São os investimentos em nós mesmos, as coisas que fazemos muito bem, ou por muito tempo, que se tornam parte de quem somos. Uma parcela do que o constitui vai para o currículo, como diplomas, empregos, notas em provas. Outra parte é mais pessoal, por exemplo, como falamos, de onde somos, como resolvemos problemas, qual a nossa aparência. O capital de identidade é como construímos a nós mesmos – parte por parte, ao longo do tempo. Mais importante, ele é o que levamos ao mercado adulto. É a moeda que usamos para metaforicamente comprar empregos, relacionamentos e outras coisas que quisermos.

Pessoas em seus 20 anos que aproveitam o tempo para explorar o mundo e também têm coragem de assumir compromissos ao longo do caminho desenvolvem uma identidade mais forte, além de possuírem mais autoestima e serem mais perseverantes e realistas. Esse caminho para a identidade está associado a uma série de resultados positivos, incluindo uma percepção mais clara do eu, maior satisfação com a vida, melhor controle do estresse, raciocínio mais apurado e resistência à conformidade.

Se Helen não obtivesse algum capital logo, eu sabia que ela estaria fadada a uma vida de infelicidade e subemprego.

Os pais de Helen haviam sido específicos quanto ao que ela deveria fazer após terminar o ensino médio: um curso preparatório para a faculdade de medicina numa universidade de elite. Tudo isso apesar de Helen ser uma fotógrafa talentosa que claramente queria estudar artes – e não o tipo que se enquadraria numa faculdade tradicional. Desde o primeiro semestre, Helen odiou as aulas do curso preparatório e tirou notas baixas.

Invejava as amigas que estavam frequentando cursos interessantes e agarrava cada oportunidade de atividades extracurriculares artísticas. Após dois anos sofrendo com as exigências da biologia e dedicando o tempo livre ao que realmente curtia, Helen mudou de área e foi para artes. Seus pais questionaram: “O que você vai fazer com isso?” Após a graduação, Helen atuou como fotógrafa freelance. Uma vez que a imprevisibilidade do trabalho começou a afetar sua capacidade de pagar as contas, a vida de artista perdeu a graça.

Alguns desses empregos são tapa-buracos úteis, pois permitem que se paguem as despesas de educação, por exemplo. Outros, como um emprego na Outward Bound (uma das maiores instituições de Educação Experiencial ao Ar Livre do mundo ), geram um capital que supera todo o resto.

Um diploma de uma universidade seguido de um excesso de empregos em lojas do varejo ou em cafeterias parece um retrocesso, ou seja, pode prejudicar nosso currículo ou até nossa vida.

Quanto mais tempo levarmos para nos firmarmos num trabalho, maiores serão as chances de nos tornarmos, nas palavras de um jornalista, “diferentes e danificados”.

Economistas e sociólogos concordam que o trabalho na juventude exerce uma influência enorme no sucesso da nossa carreira a longo prazo. Cerca de dois terços dos aumentos de salário durante a vida ocorrem nos primeiros dez anos de uma carreira. Depois disso, famílias e hipotecas impedem a obtenção de especializações e a mobilidade pelo país, e o valor dos salários aumenta mais lentamente.

Na economia atual, pouquíssimas pessoas chegam aos 30 sem ter tido algum subemprego. Então o que alguém em seus 20 deve fazer? Felizmente, nem todo subemprego é igual. Sempre aconselho os jovens a aceitarem o emprego com mais capital.

Ouvi Helen até o fim. Depois eu disse que trabalhar numa cafeteria podia ter suas vantagens, como colegas de trabalho agradáveis ou um bom desconto nas bebidas. A remuneração poderia até ser maior do que na empresa de animação, mas não tinha capital. Da perspectiva do tipo de capital de identidade de que Helen precisava, o outro emprego era claramente melhor que o da cafeteria. Encorajei Helen a ir à entrevista e a pensar na prestação de serviços gerais como um investimento em seu sonho. Aprendendo sobre o mundo da arte digital e fazendo contatos no setor, ela poderia aumentar seu capital de incontáveis maneiras.

Uma boa parcela de capital é o caminho para conseguir algo melhor no futuro.

Eis o que ela diz sobre seus 20 anos e os elementos de capital de identidade que a estão ajudando agora:

Penso na pergunta dos meus pais: “O que você vai fazer com sua especialização em artes?” Isso não faz sentido para mim agora. Ninguém que eu conheço realmente sabia o que queria fazer quando se formou. O que as pessoas estão fazendo agora na maioria dos casos não é algo de que tenham ouvido falar na faculdade. Um dos meus amigos é biólogo marinho e trabalha num aquário. Eu trabalho com cinema, na área de fotografia. Nenhum de nós sabia que esses empregos existiam quando nos formamos.

Uma coisa que descobri é que não dá para ficar só refletindo sobre a vida. A única forma de descobrir o que fazer é fazendo algo.

Quão diferente seria sua vida se ela tivesse ido trabalhar na cafeteria. Seu subemprego divertido e despreocupado provavelmente logo se tornaria uma experiência depressiva e alienadora, que poderia se arrastar mais do que o esperado, enquanto outros jovens na mesma faixa etária estariam trabalhando, digamos, com animação digital. Claro que ela não permaneceria na cafeteria para sempre, mas tampouco seria estimulada por um diretor, porque este a veria apenas como uma atendente, não como alguém que poderia se destacar na indústria cinematográfica.

A vida de Helen deslanchou quando ela usou as parcelas de capital de que dispunha para obter a próxima parcela de capital que queria.

COMUNIDADE CEO DO FUTURO
Zhang Yi Ling
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Chinês, estatístico, cientista de dados, coach, escritor, apaixonado por educação, curioso, audaz, determinado, trabalha com os números, mas gosta das pessoas ;) #sevocepodesonharvocepoderealizar

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