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Vamos (nos) permitir nossa visão!

Vamos (nos) permitir nossa visão!

Na primeira aula de sábado (29/08) com Sergio Gomes, palestrante de matérias ligadas aos temas Liderança, Cultura e Gestão, algumas ferramentas de autoconhecimento e visão de futuro foram apresentadas. Uma teoria bem ensinada é sempre bem-vinda, porém sem prática não há aprendizado, então mão na massa.

A primeira ferramenta apresentada foi a linha do tempo pessoal. Literalmente, é uma metodologia cujo fim é segmentar os marcos que tivemos em cada fase de nossa vida, porém sua importância se mostra além. Metaforicamente, a linha do tempo pessoal é uma viagem pelas memórias que moldaram nossos valores e elas dizem que somos: devem ser tanto os acontecimentos felizes quanto aqueles “infelizes”.  No TED Talks “O poder da vulnerabilidade”, a cientista social Brené Brown diz:

“Conexão é a razão de estarmos aqui (...) Neurobiologicamente, é assim que somos feitos. Para que a conexão aconteça, temos que nos permitir ser realmente vistos. A única coisa que nos mantém desconectados é nosso medo de não sermos merecedores de conexão. Pessoas que realmente tem um senso de merecimento têm um forte sentimento de amor e pertencimento, e acreditam que o merecem, têm coragem de serem imperfeitas, ou seja, contam a história de quem são com todos seus corações e são gentis consigo mesmas e, então, com os outros. Consequentemente, elas têm conexão, como resultado da autenticidade. Em outras palavras, pessoas autênticas abraçam suas vulnerabilidades, pois estas as tornam lindas.”

Por isso, a linha do tempo pessoal, quando feita com coragem (ação do coração), é tão linda pois agrega autoconhecimento e abre as portas para novas conexões! Na Figura 1, segue a minha linha do tempo pessoal.

Na infância, eu sempre fui uma criança curiosa e, relembrando alguns acontecimentos, descobri porque eu sou engenheiro químico e cozinheiro amador hoje; eu tinha o costume de congelar alguns brinquedos de metal e queimar alguns brinquedos de borracha para observar fenômenos físicos ou químicos da matéria.

Na adolescência, meus pais se separaram e passei a morar somente com meu pai. Dois anos depois, ele teve uma grave crise financeira: deixamos nossa casa, fomos morar no quintal da casa do meu avô, tivemos que criar um cômodo de 4 m² formado por duas paredes do quintal, a parede do vizinho e o armário, além de cobrirmos com telha porque os quartos e sala da casa já estavam ocupados por meu avô, primos e tios. Com muito esforço, foi possível permanecer no colégio particular mais badalado da região, porém havia muito contraste entre realidades financeiras, me isolei e sofri bullying.

Já no início da graduação, a situação financeira do meu pai melhorou, nos mudamos para uma apartamento e cursei o 1º período da faculdade (UFF) me deslocando 100 km/dia que, com o alto tráfego, contabilizavam 6 horas em pé no ônibus. Com mais esforço do meu pai e auxílio da bolsa de monitoria de Álgebra que eu recebia, me mudei para uma república onde foi fundamental me organizar e ter controle da saúde financeira. Permaneci por 4 anos como monitor por esse motivo e porque todos falavam que eu seria um bom professor/pesquisador.

Perto da formatura, estagiei em um laboratório da UFF. Eu não era feliz, não me apeteciam os procedimentos e análises químicas em bancada, então, eu me perguntei: “Por que eu não me sinto bem dando aula e fazendo pesquisa se são atividades que todos falam que  tenho o perfil?!” Buscando me entender, fiz terapia por quase 2 anos e iniciei a jornada de autoconhecimento. Nesse momento, também engatei meu primeiro namoro, a Jéssica foi e é muito importante para mim, afinal, para conquistar alguém incrível, eu tinha que ser um pouquinho incrível pelo menos.

Comecei o mestrado (UFRJ) por falta de opções e, paralelamente, busquei entidades estudantis que aceitassem alunos de pós a fim de finalmente descobrir alguma atividade que eu gostasse. Então, ingressei na EQ Hands-On (EQHO) organização que ainda engatinhava na UFRJ, como assessor de projetos. No começo, tive dúvidas por não ser uma organização renomada, mas esse problema foi uma oportunidade. Inicialmente, meu time e eu aprendemos metodologias de gestão de projetos e me apaixonei pelas diferentes metodologias desde as tradicionais até as ágeis. No ano seguinte, me tornei diretor e participei de reuniões de mapeamento de processos, discussão de KPIs e definições de valores e estratégia. Realmente quanto mais desestruturada parecer a oportunidade, maior a chance de aprendizado e deixar sua marca! Deixei a EQHO em 2020 como uma organização inovadora.


Na segunda metade da palestra do Sergio Gomes, ele apresentou o Golden Circle, conceito criado por Simon Sinek (para mais detalhes, recomendo o Ted Talks Como grandes líderes inspiram ação). Aproveitei a oportunidade para rever o Ted Talks e fazer uma analogia entre:

  1. Porquê (why) e Missão: nós não tomamos alguma atitude porque temos de seguí-la, mas porque queremos seguí-la, logo é fundamental sabermos o porquê de fazermos o que fazemos, assim seremos leais e estaremos presentes naquilo.
  2. Como (how) e Valores: aqui, o autoconhecimento também é fundamental. Uma máquina pode encontrar inúmeras formas de executá-la, porém só há uma forma de executá-la com autenticidade: com os princípios que não abrimos mão.
  3. O que (what) e Visão: a definição de o que queremos ser/somos é a consequência dessa cascata.

Na Figura 2, trago um resumo do Golden Circle adaptado e sua aplicação para minha visão de futuro em 2025.

A fim de corroborar essa visão, decidi aplicar a Equação da Transformação T = D*V*P (Richard Beckhard e Rubin Harris, 1987).

  1. Desconforto com meu status quo: estou insatisfeito com ações que tomei a partir de anseios externos ao invés de motivação interna.
  2. Visão de um estado futuro desejado: me tornar um engenheiro de projetos ou processos se mostra razoavelmente clara.
  3. Plano ou Processo: o plano para alcançar a missão é factível e os primeiros passos foram dados como desenvolver soft skills e hard skills através de cursos momentaneamente gratuitos durante a pandemia; aumentar minha rede de contatos no Jornada para o Futuro e ICF; desenvolver um projeto em equipe fora da minha zona de conforto (zona de estagnação) no ICF; e reingressar na graduação de engenharia de produção após o isolamento social.

Então, essa é minha visão de futuro para 2025 e a melhor forma de concluí-la é com o refrão de Tempos Modernos do Lulu Santos:

Hoje o tempo voa, amor,
escorre pelas mãos
mesmo sem se sentir
não há tempo que volte, amor,
vamos viver tudo que há pra viver,
vamos nos permitir.

 

COMUNIDADE CEO DO FUTURO
Filipe Augusto
Filipe Augusto Seguir

Sou engenheiro químico e apaixonado por gestão de projetos e suas ferramentas. Possuo mestrado em engenharia de processos e durante os últimos anos, me especializei em simulação, integração e otimização de processos.

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